ASSASSIN’S CREED III
De maneira semelhante às diversas datas comemorativas anuais importadas dos EUA, aUbisoft vem trazendo para o mundo todo uma nova tradição de fim de ano. Aqui estamos nós de novo para jogar o nosso Assassin’s Creed anual, fingir que vamos aprender um pouco da história de algum lugar (mas pular todas as leituras da enciclopédia dentro do jogo) e aguardar aquele esperado final “que porra é essa”, que será motivo para continuarmos a tradição no ano que vem. Esse ano, eles nos levam para conhecer um pouco dos Estados Unidos ainda colônia, em vias de se libertar da opressão inglesa.
O primeiro (e provavelmente maior) elogio que deve ser feito a Assassin’s Creed III é a fuga do estereótipo claro que vimos nas propagandas do mesmo. A mais óbvia impressão, até mesmo pela capa do jogo, é a de que ele será um enorme grito metafórico de “America Fuck Yeah”, mostrando o quanto os Estados Unidos da América são foda e o quanto sua história é exemplar. Nada disso, senhoras e senhores. Eles criaram um jogo completamente imparcial que conta todos os podres e desgraças que aconteceram. Até mesmo os fatos tidos como verdadeiros são contestados no ~mundo real~ pela figura de Shaun Hastings, o britânico da turminha do Desmond.
O cara não é tão chupa rola dos Patriotas assim…
Eu poderia fazer o review todo apenas baseado nesse simples e louvável fato, já que seria muito fácil eles criarem uma enorme masturbação ao ego norte americano, tendo em vista que o jogo vende bem lá e que todo o resto do mundo não estava esperando nada diferente disso. Mas eles fazem questão de mostrar a fraqueza do George Washington (em certo ponto o protagonista até o ameaça de morte), apresentar Benjamin Franklin como um figuraça que te ensina a transar com mulheres mais velhas (sim, você leu corretamente) e degradar todos os clichês de parcialidade e heroísmo que já conhecemos. Somos apresentados a todos os lados da história, concluindo que nenhum deles foi tão feliz assim.
A série sempre funcionou bem como um relato histórico, até mesmo no enfadonho episódio do Altair, mas o gameplay sempre teve seus altos e baixos. Mesmo esse terceiro (ou quinto) jogo é uma enorme mistura de altos e baixos, alcançando uma metalinguística tão ampla que por vezes você se pergunta se o jogo não estaria contando a história da própria franquia. Ele começa abraçando jogadores novos, que não conhecem os sistemas de assassinatos e nem o passado da série, explicando suas minúcias e fechando alguns pontos até então abertos no enredo. Após esse começo um tanto quanto vagaroso, ele fecha um ciclo em um tom altíssimo apenas para decair de novo em seguida e continuar nessa montanha-russa, o que torna mais difícil se apegar de vez à experiência.
“Vem cá que eu vou te ensinar a pegar umas coroas!”
O gameplay continua o mesmo, com algumas pequenas adições aqui e ali, mas sempre envolvendo muitos assassinatos, perseguições e escaladas em lugares altos. Eu sou um fã da série, mas abstraindo completamente o fanatismo, é evidente que tudo isso já está ficando velho e batido. No geral o jogo adiciona muito mais além desses pontos centrais de design, como veremos abaixo, mas exatamente essa parte que compõe a alma da série já está muito gasta. Se quiser permanecer relevante, a franquia precisa de outro sopro revitalizador, tão forte como foi do primeiro para o segundo jogo. Fora os elementos que se encontram fora desse núcleo principal, apenas a adição de missões marítimas me pareceu realmente original.
As demais mecânicas secundárias são o que dão o toque de novidade, gerando uma gama de opções que o deixa mais próximo do que se espera de um jogo de mundo aberto. É óbvio que os outros games da franquia sempre te deram missões extras e a opção de ir para onde quiser, mas fora isso não sobrava muita diversidade para quando você queria apenas matar tempo. Compare mentalmente com GTA, Just Cause, e outros jogos do tipo para perceber a deficiência de material pra ficar viajando em Assassin’s Creed. Agora temos tanta coisa opcional para se fazer que você literalmente se perde no mundo.
Pra um jogo onde uma das novas features é a mudança de estação, eles com certeza soltaram fotos demais só com neve.
Se essas novas diretrizes expandem as possibilidades do jogo, ainda resta a pergunta óbvia: esse é o caminho correto para o futuro da franquia? É certo que um mundo de infinitas possibilidades pode salvar Assassin’s Creed de cair na mesmice, mas acredito que missões mais bem estruturadas, maior diversidade de cenários e uma história mais interessante (no meio de toda a história que não pode ser mudada) seriam escolhas bem melhores. Mesmo que tudo isso tire um pouco dessa falsa sensação de liberdade que o jogo proporcionava antes. Portanto, mesmo com toda toda a tempestade de conteúdo não obrigatório, minigames, caça aos animais (que a PETA deve ter adorado) e opções de customização, os problemas principais da série vêm ficando cada vez mais óbvios.
As disfunções também se extendem aos protagonistas: fora as partes do Desmond, que já não eram tão fantásticas assim antigamente (e continuam totalmente mal desenvolvidas), agora somos apresentados também a outro personagem principal, que fica muito aquém do carisma que tinha Ezio. Por mais personalidade que tenha, Connor não consegue convencer como um protagonista à altura de suceder o Italiano e é difícil engolir a ideia que ele possa estrelar mais um game só dele. O único momento de real emotividade do índio na narrativa é o seu final, mas simplesmente por ele ser completamente conclusivo e servir de analogia para toda a história americana que vimos durante sua saga.
Ah sim, lembra do Trailer? Não tem nenhuma cena tão épica assim…
E até esse momento altamente reflexivo é quebrado quando somos obrigados a voltar e acompanhar Desmond no que provavelmente é um dos piores finais que eu vi nos últimos anos. Ele é péssimo não pelo seu conteúdo em si, mas por mostrar dentro da própria conclusão que ele tinha tudo para dar certo, apenas pra seguir pelo pior caminho que poderia. Sabemos bem que os finais dos Assassin’s Creed são piegas e exagerados, mas esse é tão ruim que vale a pena jogar as vinte horas da história principal só para sentir na pele o nível abismal do encerramento. Tudo isso justamente no episódio onde o o rapaz é mais usado, ainda que de maneira errada, e tediosa. Um grande exemplo de que não é apenas com boas intenções que você cria algo grandioso. E além disso, é impressão minha ou o Desmond fica mais feio a cada jogo que se passa?
Interessante notar como o modo Multiplayer, que surgiu na série como uma mero ~bônus~ para encher o disco doBrotherhood, vem se destacando como uma das surpresas mais agradáveis da série. A cada novo jogo eles aprimoram o conceito dos modos já disponíveis anteriormente e adicionam novos conteúdos que com certeza merecem sua atenção. Talvez você não seja do tipo que vá ficar jogando até chegar no nível máximo ou mestrar todas as habilidades, mas uma simples passada por cada um dos modos deve prender por um bom tempo até mesmo quem prefere jogar sozinho. O modo multiplayer nesse terceiro jogo tem tanto conteúdo bom que poderia ser vendido como um jogo separado com muita segurança. E, sinceramente, eu prefiro que os DLCs sejam todos para ele e não para o falho modo de história.
Podemos esquecer dos problemas da franquia e curtir uma matança gratuíta no Multiplayer?
Antes de encerrar, gostaria de convocar todos que acharam a dublagem de falas em português do Max Payne 3 tosca para dar uma conferida no excelente conteúdo que temos nesse jogo. Imagine um monte de portugueses tantando imitar sotaque do gueto do Brasil, representando homens fortes e opressivos que lhe pedem ~bilhetes~ (“por favor”) para entrar em uma luta de MMA. Imagine também que tudo isso está ocorrendo em um Octódromo em Sampa muito bem estruturado com saída direta para uma linha de metrô. Você pode até mesmo conferir uma briga entre dois brothers que estão discutindo porque um deles comeu a ~porra da irmãzinha~ do outro. Acho que não preciso dizer mais nada.
Assassin’s Creed é uma série inegavelmente consolidada que está aí anualmente graças ao seu grupo enorme de fãs que sempre aguarda ansioso para ver no que diabos tudo isso vai dar. Infelizmente, embora maquiado por dezenas de pequenas novidades e um excelente modo multiplayer, o centro de toda a premissa está desgastado, fazendo com que essa curiosidade e expectativa pela próxima iteração fique cada vez menor. É triste perceber que um grupo de desenvolvedores tão imparcial com fatos históricos não consiga ser concreto e honesto com seu público. A essa altura seria viável encerrar a franquia, que já está claramente na fase ordenhadeira, ou quebrar a tradição anual, aguardando algum tempo até que surjam novos e reais motivos para lançar uma continuação.
Jogabilidade
O jogo apresenta uma passagem de tempo realista, passando por estações como inverno e verão bem definidas. Os personagens também irão responder às mudanças climáticas de maneira realista.
Para transitar nos variados ambientes, o jogador conta com habilidades parkour, podendo escalar construções, subir e se esconder em árvores, além de se pendurar em cipós e cordas, o que não era possível até Assassin's Creed: Revelations. Uma grande adição ao jogo em relação aos seus antecessores é um novo sistema de caça, onde, através de um sistema de stealth, permite ao jogador caçar animais selvagens, para que sua pele seja trocada por dinheiro, mas também ele pode ser atacado por animais ferozes como lobos, ursos, etc.. O sistema de comércio e propriedade do jogo continua presente, permitindo ao jogador comprar novos equipamentos e roupas em lojas como ferreiros e artesões.[
Com a actualização do motor de jogo para o Anvil 2.0, o sistema de combate sofreu uma grande reforma, contando com centenas de novas animações e batalhas muito mais fluídas, podendo conter mais de cem personagens ao mesmo tempo na tela, colocando o jogador em combates onde rapidez e precisão são essenciais. Assim, o jogador conta com uma gama de novos movimentos, destacando-se a possibilidade de usar inimigos como escudo e a habilidade de empunhar duas armas ao mesmo tempo, o que abre um novo leque de possibilidades, podendo contra-atacar vários inimigos ao mesmo tempo, fazendo uso de uma mira automática, para que os assassinatos possam ser feitos de forma mais dinâmica durante os combates, perseguições e fugas.
O jogador conta com um vasto arsenal, contando desde a icónica Lâmina Oculta, até armas ameríndias como o novo tomahawk, arco-e-flecha e facas, além de pistolas de pederneira,mosquetes e uma antiga arma chinesa chamada dardo de corda.
Plataforma:PC,Xbox360,PS3,WIIU



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